Portinari encanta paraenses no Museu do Estado

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Foto: Sidney Oliveira/ Agência Pará
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Belém- PA, 09/03/2014- Cândido Portinari, o artista plástico mais popular do Brasil, em uma carta para o amigo Mário de Andrade, um dos mais importantes escritores brasileiros, registrou uma curiosa definição de si mesmo. “Creio ter pintado fotograficamente o mundo que me rodeia – a gente pobre com os olhos doentes, com a cara estragada, com o corpo deformado. Essa mesma gente se divertindo – se casando, tendo filhos e morrendo. Algumas dessas pessoas também com alguma saúde. Contrastando, fiz gente bonita, com a pele tratada e bem maquiada com produtos da Rubinstein. Crianças ricas e crianças pobres, velhos ricos e velhos pobres”.

Foto: Sidney Oliveira/ Agência Pará
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Belém- PA, 09/03/2014- Setenta anos depois desse desabafo, a quase 3 mil quilômetros da São Paulo onde nasceu o pintor e justamente na Belém que encantou o escritor, uma das exposições mais importantes já pautadas pelo Museu do Estado revela a precisão daquelas palavras de Portinari. O trecho pinçado das seis dezenas de cartas trocadas entre os dois amigos, na década de 40, ilustra perfeitamente, hoje, o talento, a diversidade e a inquietude presentes nas 57 obras da mostra “Portinari na Coleção Castro Maya”. Visitada por mais de 13 mil pessoas e cerca de 100 turmas de estudantes, a exposição se despede de Belém neste domingo (09/02), deixando saudades. Em crianças e velhos, ricos e pobres.

Foto: Sidney Oliveira/ Agência Pará
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Belém- PA, 09/03/2014- E não faltou gente interessada em conhecer, estudar ou ver de perto o talento de Portinari. Aberta no dia 14 de fevereiro, a exposição alcançou a média de 560 visitantes por dia. “Uma das coisas que mais me chamaram atenção foi ver algumas crianças que foram trazidas pelas suas escolas voltarem dias depois com a família”, relata a mediadora Luciana Akim Vitória. “Isso mostra como todo esse conhecimento está se difundindo em todas as faixas etárias”, anima-se.

Foto: Sidney Oliveira/ Agência Pará
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Belém- PA, 09/03/2014- Na Mostra Portinari, o envolvimento é tão explícito quanto latente. As pinturas, desenhos e gravuras que ocupam a galeria térrea do secular Palácio Lauro Sodré são também a expressão de uma amizade, tão marcante para o pintor quanto lhe era o apreço de Mário de Andrade, a quem o artista se definiu tão eclético. Coube a outro amigo, Raymundo de Castro Maia, admirador e mecenas do artista plástico, compor um dos mais expressivos acervos de suas obras.

Foto: Sidney Oliveira/ Agência Pará
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Belém- PA, 09/03/2014- O envolvimento de ambos no cenário intelectual brasileiro, em plena eferverscência do modernismo, permitiu a Maia abrigar as mais diversas facetas de Portinari. Dos impressionantes traços disformes de personagens cativos do folclore brasileiro, como em A Barca, à inquietude presente na obra não figurativa Composição, passando pela alegria misteriosa da série Quixote e até mesmo as linhas clássicas do Retrato de Raymundo Otoni de Castro Maia.

Foto: Sidney Oliveira/ Agência Pará
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