Relato de uma pandemia: Fotógrafo enfrenta via crucis e não consegue fazer o teste para coronavírus em Belém

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“Você está com uma síndrome gripal com todos os sintomas característicos da covid-19. Eu gostaria de testá-lo, mas não há testes suficientes para ninguém”, ouviu ele de uma médica.
Por Cícero Pedrosa Neto

Belém (PA) – Talvez o único paralelo de se viver em uma pandemia seja a roleta russa. A cada novo caso na estatística, a cada baixa e, se já não fosse suficiente o poder mortífero do vírus, a cada declaração irresponsável do presidente da República diante de uma das maiores crises sanitárias enfrentadas por esse país, fica-se esperando o estampido da bala em forma de sintomas. A iminência da fatalidade.

Até que tu és pego de surpresa e precisa tentar sobreviver.

Sinto medo como nunca senti antes e, dessa vez, ele vem acompanhado de certezas que também nunca existiram para mim. “Se fulano pegar, acho que não aguenta”. A gente passa a calcular quem vive e quem morre segundo nossas próprias expectativas. Sim, é insano e doloroso.

(Foto: Cícero Pedrosa Neto/Amazônia Real)

(Foto: Cícero Pedrosa Neto/Amazônia Real)

(Foto: Cícero Pedrosa Neto/Amazônia Real)

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