Uma visita ao Ver-o-Peso, o maior mercado a céu aberto da América Latina, foi a programação dos chefs e convidados, nacionais e internacionais

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Uma visita ao Ver-o-Peso, o maior mercado a céu aberto da América Latina, foi a programação da manhã desta sexta-feira, 10, dos chefs e convidados, nacionais e internacionais, que participam do Encontro Mundial das Cidades Criativas da Gastronomia da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O Encontro, que visa a potencializar negócios e a sustentabilidade no setor da culinária na região, está sendo realizado desde a última terça-feira, 7, na capital paraense, e ocorre dois anos depois de Belém ter sido declarada Cidade Criativa da Gastronomia pela Unesco, título concedido a apenas outras 18 cidades em todo mundo. É a primeira vez que esse evento internacional ocorre no continente americano. A promoção é da Prefeitura Municipal de Belém, Unesco e do Governo do Estado do Pará.

Um grupo de cerca de 30 pessoas, participantes do evento, esteve no Ver-o-Peso. Eles conheceram a feira, um dos mais significativos cartões-postais de Belém, começando pelo setor de venda de comidas, onde as vendedoras são mais conhecidas como boieiras. O empresário Nazareno Alves, proprietário do restaurante Point do Açaí, foi o anfitrião e guia dos convidados. Para ele, foi uma honra atender ao convite da Prefeitura de Belém.

“Para mim é uma honra estar junto com a comitiva da Unesco aqui ao Ver-o-Peso para passar um pouco do conhecimento que nós temos e mostrar todos esses produtos exóticos. Acabei de apresentar o jambu a eles, todos ficaram encantados, e estão maravilhados com tudo o que estão vendo aqui”, afirmou Nazareno.

Albertino Campos é um dos representantes da cidade chinesa de Macau no Encontro. É a primeira vez que ele vem a Belém, e era um dos mais atentos às explicações, já que fala e entende a língua portuguesa. “Estou achando a visita muito interessante. A ideia de nos trazer aqui para conhecer o mercado local foi muito boa. Fiquei bem interessado no processo de como se extrai o suco do açaí e como se obtém o tucupi, porque não conhecia esses produtos”, disse. Ele também ficou encantado com o pirarucu salgado.

Típico – No setor de venda de açaí, todos ficaram atentos sobre como os caroços passam pela máquina de bater o fruto e se transformam em suco. Um dos vendedores mostrou todo o processo, arrancando olhares de admiração.

O grupo acompanhou atentamente as explicações sobre a mandioca e os produtos derivados da raiz, seja para se chegar ao tucupi, seja para a obtenção das folhas moídas, ingrediente básico para a maniçoba. Eles conheceram a folha ao natural, depois moída, cozida e, por fim, pronta para o consumo. Também conheceram os outros ingredientes da maniçoba, como as carnes e linguiças, e passaram pelas barracas de venda de farinha d’água e de tapioca, de camarão, do camarão aviú e da farinha de piracuí, obtida de peixe.

Os convidados se mostraram bem interessados no tipiti, utensílio feito de palha trançada em que é colocada a massa ralada da mandioca, de onde se obtém o líquido que será, mais tarde, o conhecido tucupi.

O tucupi será um dos produtos que a chef convidada Isabel Hagemann, da cidade de Florianópolis (SC), irá levar de Belém. “Tudo aqui é muito rico, o mercado, os ingredientes, e vamos fazer as compras para levar e cozinhar em nossa cidade. Quero levar castanha, tucupi, cumaru, maniva, jambu e açaí. Trocar essa experiência está sendo muito rico e muito produtivo, tanto para nós, como para a criatividade, o que serve para enriquecer, ainda mais, a relação entre as cidades criativas”. Florianópolis foi a primeira no Brasil a ser declarada Cidade Criativa da Gastronomia da Unesco, em 2014, e será sede do próximo Encontro do segmento.

O chef colombiano Pablo Guzmán disse que Belém tem produtos muito interessantes para a gastronomia mundial. “O Encontro e esta visita serviram para que nós, de outros países, pudéssemos conhecer esses ingredientes que encontramos na Amazônia brasileira e os processos de obtenção dos produtos que são bem artesanais, sem muita tecnologia. Esse processo artesanal, no qual as mãos são muito utilizadas, é muito importante e é o que define a qualidade do produto final”, opinou o chef.

Ervas – O grupo passou ainda pelo setor de venda de ervas, e se divertiram com as explicações sobre os banhos atrativos para conseguir casamentos ou terminar uma união. As risadas foram maiores quando uma das vendedoras mostrou o que chamou de “Viagra da Amazônia”.

A visita seguiu para o Mercado de Ferro, onde ocorre a venda de peixes. Os olhares de admiração foram maiores para a quantidade exposta de filhotes e pescadas amarelas.

O encerramento da visita foi na área de venda de frutas típicas da região. A barraca escolhida foi a de dona Carmelita, que comercializa frutas que não são encontradas facilmente nas feiras, como tucumã, bacaba, ajuru, sapotilha, camapu, abricó, fruta-pão, mangaba e semente de jatobá. Todos participaram da degustação de algumas dessas frutas, como o abricó, mas todos elogiaram a pupunha, que não é tão rara de se encontrar para a venda.

O Encontro Mundial das Cidades Criativas da Gastronomia da Unesco será encerrado em Belém neste sábado, 11, quando os convidados irão conhecer o Parque Ambiental do Utinga e depois, participam de um almoço no Hangar – Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, dentro da programação do Festival Fartura, evento que reúne produtores, mercados e chefs para provar novas receitas.

O público em geral pode ainda participar da programação do Encontro até o próximo dia 19 (domingo), dentro do Circuito Gastronômico, para o qual chefs de restaurantes em Belém criaram pratos exclusivos com ingredientes locais, e ofertados a um preço acessível no roteiro culinário que compõe o evento. A lista dos restaurantes está no site http://www.belemcreativecity.com

Por Dedé Mesquita

.Foto Oswaldo Forte Agencia Belém

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